Creatina na terceira idade: aliada contra a perda de massa, a fragilidade e o risco ósseo
A chegada da terceira idade traz transformações naturais — algumas bem-vindas, outras que exigem atenção. Entre as principais preocupações está a sarcopenia, a perda progressiva de massa e força muscular que aumenta o risco de quedas, limita a autonomia e prejudica a qualidade de vida. Para muitas mulheres, essas mudanças se aceleram a partir da perimenopausa e da menopausa, quando a queda nos níveis de estrogênio favorece a perda muscular e óssea, abrindo caminho para osteopenia e, em casos mais avançados, osteoporose. É nesse cenário que a creatina — um suplemento reconhecido por atletas, tem emergido como uma ferramenta valiosa também para idosos.
Por que a creatina faz sentido na terceira idade?
A creatina é um composto naturalmente produzido pelo organismo (e obtido em parte pela alimentação, especialmente carnes e peixes) que atua como reservatório rápido de energia para contrações musculares intensas. Em pessoas idosas, há tanto diminuição de massa magra quanto alterações no metabolismo energético celular, fatores que tornam a reposição pela dieta e suplementação mais relevantes. Estudos e revisões recentes mostram que, sobretudo quando combinada com treinamento resistido, a suplementação de creatina pode aumentar massa magra, melhorar força e funcionalidade (capacidade de levantar-se, caminhar e carregar cargas), além de contribuir para a manutenção da saúde óssea. Mulher, perimenopausa e risco aumentado
A transição para a perimenopausa e a menopausa é um período crítico. A redução do estrogênio está associada não só a perda de densidade mineral óssea (osteopenia → osteoporose) mas também à maior propensão à sarcopenia. Para mulheres que chegam aos 50+, medidas preventivas são essenciais: alimentação proteica adequada, exercícios de força regulares e, quando indicado, suplementação com creatina como coadjuvante das intervenções. A literatura específica sobre creatina no contexto feminino tem crescido: há evidências de que mulheres perimenopáusicas e pós-menopáusicas também podem se beneficiar, especialmente em termos de força e composição corporal.
E quanto aos ossos? creatina ajuda a prevenir osteopenia/osteoporose?
A relação músculo–osso é íntima: músculos mais fortes submetem o esqueleto a cargas mecânicas benéficas, estimulando remodelação óssea. Ensaios controlados e estudos longitudinais indicam que a creatina, quando associada a um programa de resistência, pode contribuir para ganhos na massa magra e apresentar sinais promissores sobre alguns parâmetros de saúde óssea em mulheres pós-menopáusicas. Um estudo randomizado de longa duração avaliou suplementação de creatina aliada ao exercício e observou efeitos positivos sobre marcadores relacionados à saúde óssea — isto não significa que a creatina substitui cálcio, vitamina D ou tratamentos médicos para osteoporose, mas pode ser uma estratégia adjuvante para reduzir risco de perda óssea dentro de um programa integrado.
Segurança e orientações práticas
Uma preocupação comum é o impacto da creatina nos rins. Revisões e meta-análises recentes mostram que, em indivíduos saudáveis e quando usada em doses recomendadas, a creatina não causa declínio da taxa de filtração glomerular — embora ocasionalmente eleve a creatinina sérica por efeito metabólico (o que pode confundir interpretações laboratoriais). Para idosos com doenças renais pré-existentes, hipertensão grave ou uso de medicamentos específicos, a avaliação médica antes de iniciar suplementação é imprescindível.
Dosagem prática (baseada em estudos clínicos):
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Estratégia simples e eficaz: 3–5 g/dia de creatina monohidratada (manutenção). Estudos mostram que essa faixa é capaz de aumentar as reservas musculares de creatina e promover efeitos benéficos ao longo de semanas a meses. Alternativamente, protocolos com fase de “loading” (0,3 g/kg/dia por 5–7 dias) seguida de manutenção também são descritos, mas não são obrigatórios para obter benefícios.
Como inserir a creatina num plano de cuidado integral
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Avaliação inicial: exame clínico, função renal (se houver comorbidades), histórico de medicações e habitos alimentares.
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Priorizar treino de resistência: creatina é muito mais eficaz quando há estímulo mecânico (treino de força) — sessões 2–3x/semana já trazem ganhos significativos.
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Proteína adequada na dieta: combinar proteína de boa qualidade com creatina potencializa ganho de massa magra.
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Monitoramento: acompanhar força funcional (ex.: tempo para levantar da cadeira), composição corporal e, quando indicado, DMO (densidade mineral óssea).
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Segurança: orientar sobre produtos testados por terceiros e evitar doses muito altas sem supervisão.
Conclusão — por que considerar a creatina para idosos (e especialmente mulheres pós-50)
A creatina deixou de ser “apenas” suplemento de atletas. Para idosos, e particularmente para mulheres que atravessam a perimenopausa/menopausa, ela surge como uma aliada acessível, com forte respaldo científico, quando usada com critério e aliada a exercícios de força e boa nutrição. Seu papel não é milagroso nem substitui tratamentos médicos, mas pode aumentar a resistência muscular, preservar função e contribuir indiretamente para a saúde óssea — fatores decisivos para manter independência, mobilidade e qualidade de vida na maturidade.
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